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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Cultura jovem... Que cultura?

Diego F. Moreira, postulante da Ordem de Santo Agostinho e graduando em Filosofia – ISTA-BH-MG.

Diariamente nos jornais e revistas, telejornais, na internet, encontramos diferentes palavras que instituem sentidos para a “cultura jovem”, como: clubber, surfista, roqueiro, hip hop, esportista, radical, rebelde, patricinha, tribo, mauricinho, cool, alternativo, moderno, punk, entre outras tantas nomeações que existam por aí, que delineiam esses “ser jovem”.

Da mesma forma, quando o tema é juventude, são cada vez mais freqüentes temas como o tal “protagonismo juvenil” na sociedade contemporânea: gravidez na adolescência, drogas, o consumo, novas tecnologias, moda, beleza, entretenimento, violência, educação, emprego, desemprego, esportes radicais, música, violência.

Na contramão de tudo isso, os jovens vêm sendo constantemente convocados a “ter atitude” (expressão comum em nosso tempo) ou convidados a optarem por determinados grupos ou tribos o que, como sabemos, significa consumir produtos que os identifiquem a esse e/ou aquele estilo de vida e comportamento: seja música, filmes, roupas, bebidas, programas de tv, carros, etc.

A expressão “ter atitude” começa a ganhar um novo sentido: uma expressão relacionada às características desejáveis ou pertencentes ao universo do jovem. Ele é convocado, interpelado, pelos mais variados discursos a “ter atitude”. Este jeito de ver o jovem caracteriza o jovem como sendo um gerador de grandes problemas sociais, ao mesmo tempo que o considera a solução dos problemas sociais, desde que tenha atitude, como dizem os neoliberais. O jovem é visto como “delinqüente” e também responsável pelo destino da sociedade

Neste sentido, a tentativa de compreensão do universo jovem, e em especial a inserção do “ter atitude” neste contexto, deve passar pela análise da mídia, procurando compreender a cultura jovem do mundo atual. Sabemos que a mídia ocupa um importante espaço na sociedade, ensinando diferentes formas de viver, de relacionar-se com o outro e consigo mesmo. Um novo universo no qual o jovem se sente inserido. Penso ser cada vez mais necessário buscar um novo olhar sobre a forma como a mídia tem tratado os temas sobre a “atitude jovem” em nosso tempo.

Os discursos que antes narravam a juventude como uma fase da vida relacionada à aventura e à rebeldia, é enriquecido agora com a idéia de singularidade, de originalidade, de ocupar-se consigo mesmo. Tudo serve para representar uma juventude que é ao mesmo tempo única e plural.

No caminho até aqui, construímos essa perspectiva daquilo que os meios percebem como cultura jovem, e faço então um questionamento: Quais têm sido as “culturas” da nossa juventude atual? Cultura do Narcisismo? Imediatismo? Ou seria melhor acreditarmos (nos enganando?) em culturas mais positivas, pois a nossa juventude “ainda tem jeito”? Sim, tem jeito! Mas, a máquina capitalista só faz gerar jovens ególatras – que pensam em si mesmos não os permitindo vislumbrar aquilo que é superior, aquilo que os fará transcender – passar de um plano inferior ao superior, seja nas relações (muitas vezes superficiais e descartáveis) seja na sua vida interior, na relação consigo mesmo.

Já dizia o saudoso Papa João Paulo II num de seus muitos discursos direcionados à juventude: “Jovem, se soubesses a força que tens, mudarias o mundo!” Creiamos que podemos construir um horizonte mais feliz para todos nós, mas que o futuro é algo do qual somos todos responsáveis. Por outro lado, há algo mais urgente para cuidarmos do que o futuro: O PRESENTE!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tudo mudou !?!

Raquel Ferreira de Souza – Especialista em Língua Portuguesa, Educação e Administração; Mestranda em Filosofia (Ética) – Professora Universitária.

Hoje (dia em que escrevo este), 22 de janeiro de 2010, curiosamente, li um texto que falava sobre as mudanças do mundo nas últimas décadas. Tenho 25 anos, mas confesso que gostaria de pertencer a uma das gerações anteriores à minha.

Antes eram os pais que educavam seus filhos, com seus erros e acertos, mas cumprindo seu papel; hoje, os filhos (que nem importa de quem são, porque o nome do pai não é mais referência nem para o filho, nem para os demais) são educados pela “Malhação” e pelo “Big Brother Brasil... Europa... Norte-americano”... Quanta vergonha!!!

Os jovens respeitavam os mais velhos; não ousavam atacá-los nem com palavras, quanto mais com as mãos; o respeito entre as pessoas e a vergonha “na cara” (o famoso ‘brio’) existia e ninguém precisava ficar discursando sobre isso, porque tudo que é posto em “discurso” oferece problemas a serem solucionados; e é por isto que hoje, mais do que nunca, fala-se tanto em educação e em ética. Parece que ouço a voz de um célebre professor que tive no Mestrado, dizendo: “quando se fala muito em algo, é porque este algo está em falta”. Vivemos a geração da falta da educação e da ética!

O que mais assusta a todos é a rapidez das mudanças. Até tão pouco tempo os jovens procuravam os idosos para pedirem conselhos; as pessoas reuniam-se nos passeios para conversar até o horário que quisessem, sem medo da violência e da impunidade; elas faziam de suas vidas “felicidade”, hoje, apenas sobrevivência e falta de viço.

Infelizmente, os laços entre as pessoas, agora, valem menos que trocados e os direitos humanos que são para “todos”, só funcionam para alguns... talvez alguns sejam menos humanos que os outros... sei lá ... os filhos mandam os pais se calarem; jovens de vinte e poucos anos esfregam seus diplomas de nível superior nos rostos dos idosos - como se conhecimento acadêmico fosse sinônimo de sabedoria; os filhos planejam assassinatos e assaltos de seus próprios pais, e curiosamente, há alguns pais que também planejam a morte de seus filhos, como se fossem acidentais; as adolescentes que até pouco tempo brincavam com bonecas de pano, hoje carregam bonecas de carne e osso, sem direito a enjoar da brincadeira e deixar o brinquedo de lado, porque não são brinquedos, são crianças; rapazes cuja preocupação era apenas namorar a moça mais bela da turma com todo respeito, namoram hoje as drogas, com direito a constantes visitas e prazer, porém com “fim”, pois nem sempre encontram a saída, antes de padecerem; e até o inimaginável aconteceu: a cultura do corpo (psicossomática) fez dos corpos o maior valor da vida de algumas pessoas - o que me fez lembrar de uma pergunta feita a mim há menos de um ano por uma das minhas alunas do Ensino Fundamental II, com quatorze anos: “professora, para que eu preciso estudar, se já sou gostosa?”, prefiro não comentar minha resposta, pelo menos por hora.

É fato que muito do presente é refluxo do passado, mas também é fato que o ser humano só se diferencia dos demais animais irracionais pela sua capacidade de razão, consciência, inteligência, comunicação e poder de mudança. Persistir em teorias falidas, discursos retóricos vazios e erros retrógrados não resolverá o problema. Talvez seja mais inteligente recomeçar do “ponto zero”, esquecer dos modelos e currículos pré-fabricados da educação formal e lembrar que antes disto tudo há outra instituição maior na vida de um ser humano: a família, e é nela que se encontram os melhores e os piores exemplos da vida. É preciso criar novas possibilidades de educação, convivência, respeito e ética; e quando formos aprovados nisto tudo, aí sim, pensemos em diplomas e títulos.

Não nos falta apenas investimento financeiro na área educacional – não só no Brasil, como em qualquer lugar - falta-nos investimento humano e boa vontade. Onde está o engajamento do ser humano que busca arduamente pela mudança? Vejo apenas a busca pelo salário... que é necessário sim, mas não educa, nem sustenta sozinho.

Por isto, quero concluir este texto, com caráter de desabafo, citando o exemplo de uma das pessoas que mais admiro em minha vida: minha mãe, que cursou apenas o antigo “primário”, mas que buscou educar seus filhos, de acordo com os princípios da ética, do respeito, da justiça, da cordialidade, da bondade, entre outras virtudes inumeráveis. Isto ela também não aprendeu na instituição “escola”, aprendeu na escola da vida! É dessa educação que essa geração, a que me nego a pertencer, está sedenta! Façamos a diferença!

Juventude e natalidade, esperanças de novidade

Frt. Rodrigo Ferreira da Costa, noviço SDN

rodrigolajinha@yahoo.com.br

O que tem de mais belo e encantador na criança que nasce e no jovem que sonha é a capacidade que ambos têm de superar a mera preservação no comportamento humano e de começar algo totalmente novo na história.

É natal. Nasceu o menino esperado. Os anjos se rejubilam de alegria. Os pobres pastores querem visitá-lo. Os reis trazem presentes. No templo, o ancião Simeão louva ao Senhor pela maravilha de lhe ter concedido ver a salvação... Por que tamanha esperança em um ser tão “frágil” que acabara de nascer? Sua própria mãe não compreende, porém, guarda tudo no coração, confiando na ação do Espírito que “faz nova todas as coisas”.

Os Anjos anunciam de forma eminente: “eis que vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo-Senhor!” (Lc 2, 10-11). Será que esse anúncio cheio de entusiasmo, esperança e fé tem algo em comum com o ser jovem?

Em cada nascimento a novidade irrompe no mundo. Santo Agostinho dizia, “cada nascimento é algo totalmente novo, diferente, que ocorre na história”. Mas o que há de mais significativo no jovem senão a sua criatividade e ousadia de se lançar na imprevisibilidade da existência?

O profeta anuncia que o Senhor dará ao rei Acaz um sinal extraordinário, isto é, “eis que a moça conceberá e dará à luz um filho e lhe porá o nome de Emanuel.” (Isaías 7,14). Nascer é um sinal maravilhoso, porque é repleto de novidades. O novo ser é lançado no mundo com inúmeras possibilidades, porém sem nenhuma certeza, nem mesmo a de encontrará um colo de mãe para acariciá-lo.

Neste sentido, o ato de nascer inclui em si mesmo a novidade, ou seja, a possibilidade de iniciar algo totalmente novo na história humana. Quem poderá definir o futuro de uma criança recém-nascida? “O que será que esse menino vai ser?” (Lc 1,66). Ao nascer, um leque de possibilidades se abre. Na verdade, somos seres abertos, em evolução. Entretanto, temos medo de assumir a nossa própria liberdade, principalmente quando precisamos criar novos paradigmas, pensar o inpensado, trilhar por caminhos nunca pisados. Em relação aos jovens, não reina um medo semelhante? A sociedade nem sempre compreende a ousadia e a criatividade do jovem, por isso tenta, sem sucesso, enquadrá-lo em seus padrões tradicionais.

A natalidade é esperança de um início novo e o espírito juvenil é um eterno arriscar-se. Lembremo-nos do menino-Emanuel! “Ele é a Eterna Criança, é o humano que é natural, é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a certeza
que ele é o Menino Jesus verdadeiro. E a criança tão humana que é divina.” (Fernando Pessoa). Assim, o menino “ia crescendo em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens”. (Lc 2, 51). Tornou-se jovem sem jamais perder a espontaneidade e a liberdade em seu ser-agir.

Nota-se que “ser jovem não é uma questão de anos, mas de coração”, disse Bento XVI. O espírito de ousadia, criatividade e esperança que é próprio do ser jovem, ultrapassa a lógica rígida da temporalidade. Porque “quem ama a Deus, nunca envelhece. Pois leva em si Aquele que é o mais jovem que todos os outros.” (Santo Agostinho). Não há, portanto, idade para sonhar com um “mundo novo”, para sorrir e brincar diante da vida. Para tanto, precisa-se coragem para “encarar a realidade, espontânea e atentamente, e resistir a ela, qualquer que seja, venha a ser ou possa ter sido.” (Hannah Arendt).

A criatividade, a ousadia, a alegria, o jeito artístico do jovem ser revelam algo diferente que encanta quem os vê. Ademais, “o rosto de Deus é jovem também, e o sonho mais lindo é ele que tem.... e se a juventude viesse a faltar o rosto de Deus iria mudar.”(Jorge Trevisol). Essa é a nossa principal razão de viver.

Em virtude do nascimento, portanto, adentramos no mundo e somos aptos a iniciar algo novo. “Sem o fato do nascimento jamais saberíamos o que é a novidade, e toda “ação” seria mero comportamento ou mera preservação,” salienta a filósofa Hannah Arendt. Pois, a arte de começar está intrinsecamente ligada à natalidade e porque não dizer ao espírito juvenil.

O que tem de mais belo e encantador na criança que nasce e no jovem que sonha é a capacidade que ambos têm de superar a mera preservação no comportamento humano e de começar algo totalmente novo na história humana. Contudo, não podemos ser ingênuos em não dizer que esse é um desafio angustiante para o jovem. O futuro aparece, muitas vezes, obscuro e cheio de ameaças. Diante das incertezas, muitos preferem não arriscar viver autenticamente sua própria existência, refugiando-se nas ilusórias promessas de felicidade. Fazendo-os tomar as vias da drogas, do consumismo, da prostituição...

Desta forma, o jovem que deveria ser sujeito da sua própria história se transforma em objeto, em mercadoria de consumo, de propaganda, de lucro... Tornando-se marionetes nas mãos da mídia. Por isso são capazes de fazer ou sofrer o mal banalmente, não por um uso desordenado da liberdade, mas por não exercerem a sua espontaneidade e a sua liberdade. Perdendo assim a sua capacidade de criar algo novo no mundo.

Percebe-se que o nosso estar no mundo é essa longa viagem que fazemos, na maioria das vezes, por caminhos escuros, tortuosos, com bifurcações... Mas é preciso colocar-se a caminho. Ademais, esta é a vida que temos. Poderíamos ter nascidos em outras épocas, mas não, é aqui que estamos. A vida pede uma resposta atual para as sua perguntas e nós jovens temos este potencial. Haja visto que a suprema capacidade que temos de começar equivale à nossa liberdade.

Certamente, é com este espírito que o jovem quer celebrar o natal. Espírito de ousadia, liberdade, esperança na novidade. Pois em cada “natal” (nascimento) a re-criação secreta aparece e podemos cantar “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama!”.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Renovação...


Elias Soares, Postulante SDN, 3º ano de Filosofia - BH-MG

eliasmmg2@yahoo.com.br.

Querido(a) irmão(a), com o novo ano que se inicia, renovam-se nossos sonhos e anseios por um mundo melhor. Por uma humanidade construída a cada dia segundo os desejos de Deus. Conscientes de nossa missão batismal de sermos luz do mundo, somos interpelados a refletirmos também sobre os desafios herdados do ano que deixamos para trás. Certamente, muitos acontecimentos bons nos levaram a caminhar melhor. Porém é preciso olhar o retrovisor, não para retornar ao passado, mas para termos bases seguras e não perdermos tempo na busca da realização de nossos maiores sonhos.

Nesse sentido, é importante lembrar que grandes eventos são aguardados para 2010. E você, já pensou neles? Quais? Nas decisões políticas ou somente nas novas páginas a serem escritas no mundo do esporte brasileiro?... Ambas são importantes. Porém, gostaria de frisar a importância de nos mantermos atentos também a outras decisões, as eleições que se aproximam, desde o início do ano. Não deixe para fazer suas escolhas na última hora. Recentemente, assistimos a complexos e tristes acontecimentos envolvendo pessoas a quem você confiou seu voto de confiança e que enveredaram por caminhos contraditórios à missão assumida. O novo ano é também tempo de fazer correções e novas mudanças,...

Lembra-se da Conferencia do Clima em Copenhague? Muitas decisões foram tomadas, pena que as mais importantes, foram deixadas de lado por nossos representantes: as decisões não ganharam força de lei, ou seja, os compromissos assumidos se concretizarão segundo os interesses dos envolvidos.

Por outro lado, em meio ao frio da Dinamarca, uma nova página se abriu sem volta: o debate ecológico atento ao cuidado da obra do Criador deixou de ser assunto somente de ambientalistas e se tornou pauta de toda a sociedade. Ficou clara a necessidade de novas posturas diante do atual e falido modelo de desenvolvimento, e da natureza: o cuidado, a preservação, recuperação,... O próximo passo será dado na Cidade do México em 2010. Rezemos para que este seja o despontar dos primeiros raios de um mundo novo, mais marcado pela solidariedade do que pelo egoísmo consumista que destrói e mata.

Aproveite as oportunidades de refrexão trazidas pela Igreja, como a Campanha da Fraternidade 2010 para aprofundar estas reflexões. Vá lá não perca o trem. Você é parte fundamental na obra da construção do Reino de Deus, cuja concretização só acontece quando assumimos novas posturas frente aos desafios que ofendem o maior sonho de Deus: o de que todos os seus filhos tenham vida digna e plena neste mundo.

Esta nova história é escrita também através de sua perseverança e ativa participação nas decisões sociais e políticas. Assim é que a Palavra de Deus se torna viva e transformadora do coração humano que se compromete com a construção do Reino e entende que deixar de participar é ajudar aqueles que querem ver frustrados nossos maiores sonhos. Por isso, não deixe apagar em seu coração a luz do Senhor que te fortalece, aponta novos caminhos e também convoca a assumir o leme de sua vida tornando-se sujeito de sua história que completa e dá novo sabor à história conjunta da humanidade inteira. Ousemos novos horizontes sem temer as montanhas que estão à frente: elas são desafiantes, mas também caminhos que nos elevam e levam-nos a reconhecer o potencial transformador despertado somente diante do desafio inicial,...


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Deus, fonte da plenitude humana


Gedeir V. Gonçalves, Postulante SDN e graduando em Filosofia, BH-MG
gedeirvg@bol.com.br

A partir de uma leitura espiritual, que realizei a cerca da obra: “Plenitude Humana”, do autor João Mohana, gostaria de compartilhar com você, caro jovem, as experiências que obtive ao realizá-la.
Deus existe? Quem é Deus? Por que ele não se manifesta diante dos desafios da sociedade? Essa e outras indagações perpassam toda a evolução humana até os tempos atuais.
Falar de Deus é algo muito complexo. Comprová-lo, é mais difícil ainda. diante disso, o que devemos fazer? Muitos filósofos tentaram explicar a existência de Deus, como Nietzsche, Sartre, Voltaire e outros mais que com esta finalidade, caíram num pleno vazio, chegando à conclusão que Deus é um “nada”, um “nada”, que se torna o “tudo” para a humanidade.
Racionalmente falando, no “nada” está concentrado, ou seja, Ele comporta tudo que vai para além de todos os conceitos que formulamos pela inteligência humana. Mas a humanidade interpretou de forma errônea os pensamentos desses filósofos. Eles também, com seu egocentrismo, conseqüentemente, caíram no vazio da humanidade.
O vazio da humanidade é a pretensão de o ser humano se considerar “completo”. Ele não precisa de algo maior para sua sobrevivência; se considera como dono de sua própria existência. Nessa perspectiva, o homem busca comprovar a existência de Deus por meio dos cinco sentidos, daí as três perguntinhas do início deste texto.
Sabemos que Deus não pode ser explicado pelos nossos sentidos. Alíás, não precisa ser explicado. Se Deus coubesse na ignorância de nossos conceitos, ele deixaria de ser Deus para se tornar um simples humano como nós. Devemos trazer conosco um pensamento de um grande filósofo, cuja liberdade podemos transferir para nossa vida espiritual e vocacional. “O ser humano sempre terá duas possibilidades de escolha em sua vida, e cabe a ele escolher a melhor, de acordo com seu interesse, e com essa escolha, deve assumir todas as conseqüências que ela acarreta, tanto positiva quanto negativamente.” Este filósofo é Jean Paul Sartre.

Em nossa vida devemos procurar fazer esta escolha, e conseqüentemente assumir todos os riscos que ela traz. Façamos a mesma coisa com nossa fé: passemos a acreditar que Deus existe e que ele se manifesta em nossa historia. Então não há porquê de nós querermos provar aos outros a existência dEle. Podemos mostrar sim, o bem que Ele nos faz, mas comprovar sua existência racionalmente, não o podemos.

O importante é que cremos em Deus. A partir do momento em que acreditamos, Ele passa a existir não fora, mas sim dentro de cada um de nós! Essa é a beleza da existência humana! A humanidade tem sofrido muito pela falta de fé. Agora nos perguntamos: queremos também, sofrer o resto de nossa vida?

O homem só chega a sua plenitude, a partir do momento em que ele caminha com Deus, do contrário ele cai na perdição e no vazio do mundo. Com isso, convido a todos, em especial, você jovem, a fazer esta caminhada de “conhecimento” de Deus, e ao mesmo tempo fazer sua entrega de vida, depositar nas mãos de nosso criador, a nossa existência, e tendo em Deus, um amigo com Quem possamos compartilhar nossas alegrias e tristezas existenciais.

Juventude e doenças sexualmente transmissíveis

Whesney A. de Siqueira, Postulante da Ordem de Santo Agostinho
whesney1@gmail.com

Nunca se falou tanto do problema das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST's) nos últimos anos. Já ouvimos falar bastante, tanto na escola quanto nas Igrejas, na TV e em vários outros meios de comunicação. Mas é preocupante o número de jovens que são infectados por essas doenças transmitidas através da relação sexual. Uma coisa é fato: é cada vez mais precoce a iniciação sexual, e cada vez mais cedo mais jovens estão contraindo essas doenças.
As DST's podem ser curáveis ou incuráveis, como é o caso, por exemplo, da Aids. Dentro das DST's também existem a gonorréia, sífilis, cancro mole, cancro duro, herpes genital, tricomonas, hepatite, HPV, entre outras doenças. Pesquisas recentes apontam que cerca de 40% dos infectados pelo vírus HIV são jovens, como afirma o relatório epidemiológico do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Atualmente são 33,2 milhões de pessoas vivendo com o HIV/AIDS no mundo. Dentro das DST's, a Aids é a doença mais lembrada e mais preocupante pois o seu tratamento faz somente um controle do vírus e proporciona uma maior sobrevida aos infectados, mas infelizmente o vírus não pode ser extirpado.
A juventude é um período de nossa vida em que queremos nos auto-afirmar. Uma das formas dessa auto-afirmação é o impulso de testar as situações a todo o momento, o que é extremamente normal e faz parte do nosso amadurecimento, mas infelizmente nós não somos imunes a qualquer perigo. Posturas não refletidas podem nos deixar marcas. O sentimento de onipotência pode comprometer o futuro. No campo sexual essa onipotência se alia aos hormônios pulsantes. Esses acontecimentos físicos e psicológicos, misturados em tempos de muita informação erótica e pouca censura nos meios de comunicação de massa, leva o jovem a experienciar realidades ainda não compreendidas por ele, uma vez que ainda não vivenciou o suficiente para tal. Aqui mora o grande perigo, o do desastre, o que era pra ser um período de autoconhecimento, pode se tornar um estigma para a vida toda, ou na melhor das hipóteses, uma bela dor de cabeça.
Mas, se temos uma quantidade de informação tão grande, como é que mesmo sabendo, não conseguimos colocar em prática? Talvez explique o fato que na hora do sexo, do prazer a irracionalidade impera, a emoção nos toma. De outro lado, as propagandas e campanhas para a prevenção são muito racionais. Sendo assim há um descompasso e uma não internalização da mensagem destas. Não adianta lermos e assistirmos tudo quanto há, mas na hora "H" tudo sumir. O fato é muito sério, não podemos levar a nossa vida como se nada de mal irá acontecer, como confirmam as pesquisas que citamos no início deste texto.

Outro elemento curioso é o fato de nossa geração não ter convivido com o horror das DST's. Vivemos em um tempo em que essas doenças gozam de um certo controle, muito pouca gente conviveu com pessoas acamadas, esqueléticas vitimadas pelo HIV, ou mesmo as doenças que não matam mas são esteticamente horríveis. Crescemos sabendo e comemorando que a maioria das DST's tem cura. É só tomarmos as vacinas e fazermos os tratamentos, ou na pior das hipóteses, a Aids, pode ser controlada através do coquetel.

O que não se fala é que até agora o governo não se preocupou em disponibilizar as vacinas para a maioria das DST's e grande parte dos tratamentos estão restritos a centros particulares. E para o tratamento do HIV que se dá através do coquetel anti-aids, costuma faltar antirretrovirais na rede pública e esses medicamentos são fundamentais para manter a qualidade de vida das pessoas que vivem com Aids. Além do mais, é grande o sofrimento provocado pelo tratamento. Os efeitos colaterais variam muito de pessoa para pessoa, os mais frequentes são: escamações de pele, quedas de cabelo, disenterias, mal-estar, suores, tremedeiras, dores estomacais, náuseas, vômitos. Sem falar que tem gente que nem tolera o coquetel porque não consegue suportar os efeitos colaterais.

Cada vez mais devemos trazer para a nossa vida essas reflexões a respeito da nossa prática sexual, temos que ter consciência dos nossos atos e sabermos que as doenças existem e estão ai presente no nosso dia-a-dia. Não somos super-heróis, ao contrário, somos finitos, frágeis e vulneráveis. Tomar consciência de nossas precariedades nos faz acabar com a nossa falsa onipotência. Ter uma postura reflexiva, serena e realista, base para a maturidade.... Sabendo que tudo pode nos acontecer, mas nós podemos evitar muitas coisas nessa nossa passagem pela vida.